Terapia. Que bicho é esse?! [Dicas Importantes para escolher um terapeuta]

Por Angélica Prazeres


Então deixa eu te explicar essa história de psicologia, psicoterapia, psiquiatria, terapia e análise serem a mesma coisa ou não.  
O post hoje é para tentar esclarecer e tirar dúvidas  de uma vez por todas sobre a confusão desses termos.

Primeiro de tudo, não, NÃO se tratam da mesmíssima coisa. 
Todas essas coisas se referem a: um jeito de tratar pessoas que estão vivenciando algum tipo de sofrimento, no caso estamos nos referindo ao sofrimento psíquico (mental, psicológico, na cabeça, na alma...pode escolher o termo que preferir ;). 

De uma forma bem prática e resumida, o psicólogo fez faculdade de Psicologia, o psiquiatra fez faculdade de Medicina e depois fez um curso de residência médica que lhe conferiu o título de Psiquiatra.

Psicólogo, não medica nenhum paciente, não é permitido. 
O Psiquiatra, neste curso de residência em Psiquiatria, basicamente aprende como (e com o que) medicar os pacientes diagnosticados com algum Transtorno Mental.




Esse nome, "Transtorno Mental", é feio e pesado à beça, mas é só mais um termo para indicar um sofrimento ou desajuste que passou do normal para uma pessoa. Ou seja, que na visão de um profissional merece cuidados maiores com sua saúde e bem-estar.

Por exemplo, a Depressão é muito mais que uma tristeza no dia a dia; a Depressão é um Transtorno Mental, a tristeza não.

E esses outros termos usados de uma maneira geral pelas pessoas ["To indo para análise..."; "Me liga depois que eu tô na terapia..."] são mais populares, mas para nós profissionais há uma diferença. 

Para você entender melhor: 
Terapia é qualquer tipo de procedimento que oferece algum tipo de intervenção.
Muitas mulheres fazem "terapia de reposição hormonal" e isso não tem nada a ver com Psicologia. 
Por isso, para deixar bem claro que o tipo de intervenção tem a ver com Psicologia ou com a "mente", usamos o termo PSICOterapia

Entre as Psicoterapias existem várias ABORDAGENS, vários tipos. Por exemplo: Gestalt Terapia, Terapia Humanista Existencial, Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia analítica ou Psicanálise, entre outras, muitas outras. 




A maioria dos cursos de formação para estudar essas abordagens aceita somente profissionais de saúde e/ou educação (o que é o mais lógico, já que presume-se que o profissional precisa ter um histórico de estudo nesta área para absorver esse novo conhecimento). 

Porém, nem todos os cursos são assim. 
Mas o fato é que, normalmente, o psicoterapeuta escolhe uma abordagem para atuar e passa toda a sua vida estudando e se aperfeiçoando nesta mesma abordagem. 

Claro que há casos em que o profissional se depara com outra abordagem e decide mudar de referencial e essa é a história de um dos fundadores da Terapia Cognitivo-Comportamental, Aaron Beck. Ele era Psicanalista e se aventurou a testar novas formas de entender o pensamento, os sentimentos e comportamentos e a relação entre eles (depois falamos sobre isso em outro post).

A complicação toda é que tanto os Psicólogos quanto os médicos Psiquiatras podem oferecer psicoterapia para seus clientes (ou paciente, se preferir assim). 

Coisas que você precisa entender melhor:


  • No Brasil, se você é formado em Psicologia numa faculdade credenciada pelo MEC, assim que pegar o canudo e se registrar no Conselho Regional de Psicologia, você está liberado para trabalhar como psicólogo. Pode ser, inclusive, psicoterapeuta em qualquer abordagem que desejar ou em nenhuma específica (!). Pois não há regulamentação no Brasil que defina critérios mínimos além da graduação para que um psicólogo seja psicoterapeuta ou psicólogo clínico (para usar outro termo). Resumindo, saiu da faculdade, se registrou no Conselho, pode ir trabalhar no RH de uma empresa, numa escola, num consultório, num hospital ou qualquer outro lugar que se contrate um psicólogo graduado. O mesmo para os médicos, que precisam ser registrados no Conselho Regional de Medicina.


  • Na realidade, com a concorrência, as instituições tentam recrutar pessoas que tenham investido em qualificações específicas, tais como um curso de extensão, formação, especialização, Mestrado ou Doutorado numa determinada área de atuação.


  • Mas você pode estar sendo atendido por um psicólogo que saiu da faculdade e não fez nada disso. Não se especializou em nenhuma abordagem. Não teve um treinamento prático específico para atender (porque isso não é obrigatório para se formar na graduação de Psicologia, é somente mais uma entre outras opções de estágio obrigatório). Não investiu numa supervisão particular (ou seja, não pagou um psicólogo experiente para supervisioná-lo e treiná-lo paralelamente aos seus atendimentos). 
E ela/e não está agindo contra lei nenhuma. Está correta. Uma vez registrado, o Conselho Federal de Psicologia brasileiro entende que ele pode atuar em qualquer área da Psicologia. 
  • Entendeu agora o porquê de uns psicólogos cobrarem X e outros 3 vezes mais e por aí vai? Definitivamente, um psicólogo que além da graduação fez Mestrado, Doutorado, cursos de especialização, participa de congressos e workshops anualmente, fez treinamento prático, pagou supervisão particular etc, não pode de maneira alguma se igualar a outro que saiu da faculdade e foi atender. De fato, são profissionais com preparação totalmente diferente. E aí, a experiência relacionada ao número de pacientes atendidos e ao tempo vai se somando a tudo isso.


  • Não, nem todo psicólogo que cobra um valor alto é maravilhoso e nem todo psicólogo que cobra um valor baixo é ruim . Mas uma dica ótima é investigar qual a formação do profissional que está te atendendo. Qual a abordagem (linha/direcionamento) dentro da psicoterapia que ele está se baseando para te atender? E se, de fato, ele está registrado e em dia com as obrigações no Conselho Regional de Psicologia (essencial!). Isso só para começar. 

Ah, você acha que a complicação acabou aí? Infelizmente não.

Nos próximos posts a gente continua falando sobre o assunto e dando dicas práticas para você se informar e poder escolher um profissional mais indicado para você!


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Se você está procurando um psicoterapeuta, procure saber:

  1.  Se este profissional é registrado em sua categoria profissional (CRP ou CRM);
  2. Qual foi o caminho que ele fez até se tornar um psicoterapeuta. Que faculdade e cursos fez.
  3. Baseado em que abordagem (linha) de psicoterapia trabalha (se o profissional te der só um nome, peça uma explicação de como isso se traduz no seu atendimento)
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Sua "cabeça" que está em jogo, então, se cuida! ;)

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