O que eu não entendo


Por Marcus Tranjan

Bom, dessa vez quem escreve não é da área de saúde. 
Muito pelo contrário. Da área de tecnologia. 
Portanto, eu não vim aqui pra explicar, mas pra complicar!

Já vi de muito perto casos de pessoas em crise de pânico ou falando sobre pânico - sejam pacientes, sejam terapeutas. E entendo que o tratamento passa por racionalizar o medo que a pessoa sente e aplicar algumas técnicas para diminuir a ansiedade. 
Dizem que é um dos tipos de transtorno que, se tratado corretamente, traz resultados mais rápido. 

Ok... mas como faz se o paciente trouxer um assunto que foge da alçada do terapeuta? 
E se o medo desse paciente for realmente racional? 
Um pequeno exagero que lhe traz algum prejuízo em seu dia-a-dia... 

Então, a partir da minha ignorância, surge uma pergunta ainda mais importante: Existe diferença na atuação de um terapeuta para Medo Racional x Medo Irracional?

Muitas pessoas que procuram terapia para vencer algum medo, não tem ideia do real perigo que aquela situação proporciona. Muitas vezes esses medos são até mesmo reforçados por novelas e filmes. Vamos a alguns exemplos: 

1) Elevador - Esse é o meio de transporte mais seguro do mundo, atualmente. Você pode ter visto em uma novela alguém caindo no poço dentro do elevador. Agora, você nunca viu isso como uma notícia real, pelo menos não nos últimos 50 anos. Segundo normas de engenharia e até mesmo leis, um único cabo de um elevador deve suportar 12 vezes a carga máxima do elevador. E por lei, são necessários 3 cabos! E mesmo sem os cabos, o elevador tem freios!! Se existe um medo de cair de um elevador, esse medo é irracional. certamente.

2) Celular no avião - Muita gente acha que o aparelho de telefone pode derrubar um avião. Se você estiver com o celular ligado enquanto o avião estiver taxiando, vão haver olhos nervosos em cima de você, ou até mesmo pessoas te chamando a atenção, por não ter desligado o celular. Outro medo irracional. Dentro do avião eles não deixam você trazer nem mesmo xampu, mas deixariam você embarcar com um aparelho capaz de derrubar o avião? Eles mandam você desligar o celular apenas porque enquanto você voa, as companhias telefônicas não conseguem cobrar a ligação. Você estaria aproximadamente na mesma distância de diversas antenas, e isso causa uma confusão no sistema. 

Mas e se o medo for racional?

Há alguns anos atrás passei por uma situação bem interessante, que vou jogar aqui pra dar uma complicada.

Estava eu com minha psicóloga de plantão (também conhecida como esposa e também conhecida como a dona deste blog) e resolvemos ir na Roda Gigante da Skol.

A Roda Gigante da Skol ficava ali no Forte de Copacabana. 
Durante o passeio, eu notei uma coisa: Os freios não estavam todos funcionando corretamente. Os que funcionavam estavam perfeitos, mas havia alguns que não estavam "ativados", digamos... A partir dai eu comecei a reparar em outras coisas: Várias partes oxidadas, alguns rangidos, coisa e tal. Lembrando que era em frente `a praia, e portanto um fator a mais a ser considerado.

Ao ver que eu estava "examinando" o brinquedo, minha psicóloga logo fez piadinha dizendo que eu ia ter que fazer terapia.
Bom, eu não tive ataque de pânico .. inclusive dias mais tarde fomos de novo nessa mesma Roda Gigante com toda a família. 

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Foto: Reprodução/Blog of Francesco Mugnai

Mas e se fosse um paciente diante de uma situação dessa? Onde ele ficasse paralisado pelo medo (ou ao menos MUITO incomodado) e fosse capaz de argumentar diante do real perigo que a situação pode trazer? A abordagem da terapia é diferente?

Ou melhor ainda! Imagine um militar que está em uma situação de guerra e perde a capacidade de tomar decisões diante do pânico. Um profissional desses sabe melhor do que um psicólogo sobre os reais perigos daquela situação. 

Como faz? 


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