Terapia Cognitivo-Comportamental

Bom, falei, falei, agora vou explicar melhor. O que é essa tal de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)?
Já havia explicado em outro post como funciona na psicologia, né? Dentro da psicologia clínica tem várias linhas de pensamento (abordagens, tipos), e uma delas é a TCC. Até aí, ok, fácil de entender. Mas se existem várias linhas, significa que nem os próprios psicólogos chegaram a um consenso de como entender o ser humano. É por aí mesmo. 
A Psicologia é uma ciência muito nova, muito rasa ainda. Temos muito o que estudar e entender ainda. Por isso, é tão importante a pessoa se envolver no processo da escolha de seu terapeuta, pesquisar sobre a linha, pois de certa forma você está buscando uma orientação de como será apresentada a vida, as relações, as emoções (etc etc etc) para você.
Acho que um jeito simples de entender a TCC é essa historinha que sempre conto para os meus pacientes logo no início da terapia:
Imagina que nós dois estamos caminhando no calçadão da praia, dando uma voltinha, curtindo a natureza, pegando um pouco de ar fresco. Aí na direção contrária a nossa, a gente vê um cara correndo, só de bermuda, sem tênis, suado...E ele aumenta a velocidade, olha para trás e continua correndo em direção ao prédios e ao comércio e não mais no calçadão da praia. Lembre-se que estamos no Rio de Janeiro. Bom, você que é uma pessoa tranquilona, "rata" de praia, está sempre por ali caminhando ou pegando um sol, pensa o seguinte: "Pô, o cara ta correndo à beça, devia estar correndo na areia...está super em forma, legal. Acho que vou falar para Angélica para darmos uma acelerada nessa caminhada porque estamos muito lerdas. O cara já  correu, foi e voltou e deve estar indo para casa já. E a gente aqui, andando que nem duas velhinhas, super devagar. Precisamos dar uma acelerada!". Eu, por outro lado, que sou super ansiosa, meio medrosa até, quase não vou ao calçadão da praia caminhar, penso logo: "Cara, o que será que aconteceu, está estranho isso. O cara está só de bermuda, nem tênis está usando, não continuou correndo no calçadão...deve estar fugindo de alguém. Ih, será que é melhor a gente parar um pouco e ver o que está acontecendo, dar um tempo aqui no quiosque...tô achando melhor..."
Consegue se colocar nessa situação e pensar como essas duas pessoas viveram exatamente a mesma situação e na verdade viveram a situação de maneira (emocionalmente) totalmente diferente? Então, é assim que nós TCCS entendemos a experiência de pensamento e sentimentos que todos nós vivemos a cada minuto. 
Em todas a situações que vivemos, vamos passar por ela, entende-la, vive-la a partir de uma interpretação da nossa cabeça. Essa interpretação está ligada a um pensamento rápido que passa na cabeça na hora da situação (PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS). E dependendo do conteúdo deste pensamento rápido que passou na minha cabeça eu vou reagir de uma forma ou de outra. E basicamente, vão acontecer sempre 3 reações ao mesmo tempo: vou vivenciar um sentimento (EMOÇÃO), uma sensação no meu corpo, e vou ser compelida a agir (COMPORTAMENTO). Ah, e estes tais pensamentos rápidos que passam a todo momento na nossa cabeça (às vezes nem nos damos conta), não aparecem do nada, como se fossem inventados naquele momento. Os pensamentos automáticos estão ligados às coisas que acreditamos (valores), às experiencias que passamos ao longo da vida, às influencias que nos formaram como pessoa, a nossa personalidade, às nossas tendencias e hábitos adquiridos, à nossa genética, à coisas externas como a época vivida, cultura, local etc. Tudo isso, junto e misturado, formam nossos sistemas de CRENÇAS, basicamente tudo que fica dentro da nossa caixola e faz a gente pensar X e não Y, reagir assim ou assado. Faz sentido ver as coisas desse jeito? Para mim faz bastante...
Vendo o filme "O pequeno Nicolau" dá para ver direitinho essa história de pensamentos automáticos e como somos incrivelmente criativos para criar todo um mundo paralelo na nossa cabeça ;)
Bom filme!

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