10 de maio de 2013

Cada um tem o que merece... (?!)

Por Angélica Prazeres

Confesso que eu adoro ditados populares. 

São simples e normalmente carregam uma sabedoria. 

Mas também um moralismo, uma visão parcial, um humor-negro, umas verdades bem puras que irreleva as circuntâncias...ou seja, são a nossa cara!

E como meu trabalho me imprime refletir sobre coisas como esta (sobre o que o povo pensa?!) quase que diariamente, outra vez me peguei pensando sobre a relação entre a sabedoria popular e as ideias que formamos sobre nós mesmos. 
Algo assim quase que involuntariamente. 

Essa história que "cada um tem o que merece" é meio contraditória né? 
Ou a realidade é tão dura (e não necessariamente justa!) que eu quero acreditar que há um quê de contraditária nessa história de merecimento.




Imagino que grande parte de nós seja direcionado pela ideia do merecimento. 
Da recompensa a partir de um esforço. 
Da vitória a partir da persistência. 
Da dignidade a partir da justiça e respeito. 

Até aí tudo bem, a vida - de uma forma geral - vem mostrando para quem quer ver que a nossa sociedade tende a recompensar quem se esforça, persiste, quem realiza, quem se envolve em algo e corre atrás.  

Mas quando pensamos em sentimentos e reciprocidade, parece que esta história de merecimento não funciona bem assim...

Quem nunca se viu pensando: "Pô, eu não merecia o que fulano/a fez comigo!", "fulano foi mal agradecido, depois de tudo que fiz por ele".  

Decepções. Frustações. Nós sempre tendemos a achar que não foram merecidas. 




Mas na verdade mesmo, se você pensar que cada um tem o [resultado de coisas que vêm a partir das suas escolhas feitas anteriormente], a gente até consegue concordar que a gente merece, né?

O merecimento aí citado no ditado tem mais a ver com as consequencias das nossas escolhas. E não com essa ideia cheia de valores embutidos que temos de merecimento. 

Convenhamos, quando nós somos decepcionados por alguém, os sinais de que isso iria acontecer já estavam sendo deixados ao longo da relação...e a nossa frustação, no fundo, têm muito mais a ver com o que nós fantasiamos que iria acontecer (e como isso é maravilhosamente bom!) do que com o fato em si. Salvo mal caratismos brabos e gente sem coração que às vezes esbarramos pela vida, a gente de fato acaba colhendo o que plantou...dura realidade.

Mas e aí, então agora temos que parar de fantasiar, parar de ter expectativas, viver como um robô que mede todas as prováveis consequências e escolher a que na lógica irá me fazer perder menos, merecer mais. Se você conseguir fazer isso e ainda sim desfrutar a vida com um sorriso no rosto e paz no seu coração, sim. Mas quem consegue, né? Difícil...

Ou seja, já que parece mesmo que cada um tem o que merece [escolhe], melhor a gente dá uma revisada no que a vida está nos dando de resposta e se envolver em mudar o que está demandando mudança...Ah, mas isso  só se você quiser merecer mais ;)