Pílulas para felicidade...

Por Angélica Prazeres

Os dois lados da informação...

Já perceberam que agora se fala muito, em tudo que é lugar (inclusive aqui), sobre Ansiedade e Depressão. Parecem os dois hits do momento.
Todos têm algo a falar sobre o assunto, do médico ao porteiro do seu prédio.
O que é ótimo (por um lado)!

O problema é que quanto mais se fala, mais se fala bobagem também ;).




Venho percebendo há um tempinho um discurso bem repetitivo de algumas pessoas ao se referirem ao fato de terem Depressão ou Ansiedade.
Acho que a história se popularizou tanto, através de filmes, seriados, documentários, matérias em revistas populares que esses dois Transtornos (esse é o nome que nós profissionais de saúde damos para coisa) criaram vida própria.





Da maneira que vejo as pessoas falando até parece que Depressão e Ansiedade parecem um vírus ou uma bactéria que pegamos por aí. Alguns se referem como algo quase que externo, mal comparando com uma gripe séria que nos incapacita semanas até a gente tomar umas pílulas milagrosas, se trancar em casa e enfim conseguir se restabelecer.

Já ouvi coisas como: "essa semana eu desisti de fazer algumas coisas porque a Depressão e a Ansiedade estão muito fortes. Acho que meus remédios não estão funcionando mais tão bem, porque estou numa fase muito irritada, sem vontade de fazer nada. No próximo mês a gente marca, porque acho que já estarei melhor dessa Depressão."

É... acho que a massificação da informação gerou isso: as pessoas passaram a entender a Ansiedade e Depressão como uma doença sazonal com sintomas que diminuem se a gente tomar uma certa medicação que funciona...ou aumentam, caso o remédio não esteja mais funcionando. Simples assim (?!).

Taí, quando os profissionais de saúde ressaltam que a medicação psiquiátrica é super importante e muitas vezes considerada essencial para a melhora dos sintomas, as pessoas entendem que ao tomarem uma pílula diariamente os sentimentos desagradáveis, desmotivantes, de medo e incômodo vão embora assim...ao engolir da saliva...

E os pensamentos, a forma de se posicionar na vida, as relações afetivas, as interpretações disfuncionais das situações de vida, a auto-estima lá embaixo, a auto-imagem distorcida, a alienação diante do que está acontecendo em volta, o egocentrismo etc etc etc ?!? 
Isso tudo também vai embora ao tomar uma pílula milagrosa?!

Como se desconstrói um pensamento todo errado, relações falidas, valores deturpados a partir de uma pílula diária?! Ou quem sabe duas seja mais adequado.



Acho que o nosso tiro saiu pela culatra...
Ao tentarmos esclarecer aos pacientes que é super importante uma avaliação do médico, que o psiquiatra é só mais um médico especialista em comportamento, que de repente tomar um remédio tarja preta por toda a vida seja necessário e é uma ferramenta importante para a melhora de muitos, as pessoas entenderam que a solução estava aí! 
E só aí! 

Veja bem, não estou dizendo que tem que fazer psicoterapia. Estou dizendo que o comportamento precisa mudar para seu humor, seus sentimentos, sua paz interior, sua visão de vida, seus valores, sua mente, sua cabeça  sua alma ou como você quiser chamar tudo isso. Ou que tudo isso precisa mudar para que o seu comportamento mude. 
E Vice-e-versa, constantemente, para a vida toda.




Se você vai conseguir isso batendo cabeça, lendo "O Segredo", frequentando uma igreja, indo para a night, conversando com um amigo, pedindo conselho para uma pessoa mais velha, fazendo yoga, procurando um profissional, consultando um psiquiatra e/ou fazendo psicoterapia, a escolha é sua.

O que a gente sabe mesmo é isso: para mudar, só a escolha sendo nossa...



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